Aprenda a calcular o índice de endividamento da sua empresa

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Para que as empresas possam expandir suas operações e atender a uma demanda maior elas precisam, invariavelmente, realizar investimentos. Esses investimentos podem ser destinados à aquisição de novas tecnologias, ampliação do espaço físico, contratação de mais profissionais, obtenção de máquinas mais produtivas, etc.

 

É praticamente impossível que uma empresa consiga crescer e conquistar market share sem criar as condições que suportem esse crescimento. Por exemplo, se uma confecção tem a capacidade hoje de produzir 10 mil camisetas, para que ela possa chegar a produzir 100 mil camisetas é fundamental que ela expanda a sua capacidade produtiva. Neste sentido precisará adquirir novas máquinas, contratar novos funcionários, investir em sistemas de gerenciamento para tornar seus processos administrativos mais eficientes, etc.

 

Fato é, na maioria das vezes as empresas não possuem disponível o capital necessário para expandir as suas operações. É comum, portanto, que elas realizem empréstimos junto a terceiros para incrementar o seu capital de giro.

 

A partir da aquisição desses recursos adicionais, se torna possível realizar os investimentos que farão a empresa crescer. Por outro lado, a empresa passa lidar com uma nova variável: o endividamento.

 

No momento em que a empresa começa a adquirir dívidas, é importante que ela passe a acompanhar, também, a evolução do seu índice de endividamento para garantir que suas contas estejam sob controle no curto, médio e longo prazo.

 

Além de permitir analisar a evolução do endividamento da empresa ao longo do tempo, o índice de endividamento pode ser comparado ao de outras empresas do setor para uma análise mais consistente da situação financeira da empresa.

 

Existem três índices que são bastante utilizados para realizar essa análise. Veja quais são eles e entenda como calculá-los:

 

Índice de endividamento geral (EG)

 

O índice de endividamento geral (EG) é largamente utilizado pelas empresas para identificar a proporção de ativos da empresa que são financiados por recursos de terceiros, ou seja, por dívidas que devem ser liquidados em data futura.

 

O cálculo deste índice é relativamente simples, para tanto, basta somar o total de capital de terceiros (composto pelos passivos de curto e de longo prazo) e dividi-los pelo total de ativos que uma empresa possui. O valor percentual será encontrado multiplicando-se o resultado por 100. Para facilitar a compreensão vamos dar um exemplo:

 

Uma empresa possui ativos totais no valor de R$1.000.000, passivos de curto prazo no valor de R$200.000 e de longo prazo no valor de R$500.000. Portanto para encontramos o EG, devemos somar os passivos de curto e longo prazo e dividi-los pelo total de ativos:

 

EG: (R$200.000 + R$500.000)   x 100 = 70%

R$1.000.000

 

O que isso significa? Na teoria, quanto menor esse índice for, melhor uma empresa estará, pois apresenta menor risco de inadimplência. Do ponto de vista financeiro, a empresa em questão possui uma grande dependência de capital de terceiros, já que o índice é 70%.

 

Do ponto de vista gerencial, no entanto, um alto índice de endividamento nem sempre representa um problema, uma vez que a empresa paga uma remuneração fixa de juros para quem emprestou o dinheiro e pode usar esse capital para gerar uma margem de lucro superior ao valor que ela deve.

 

É importante destacar, no entanto, que embora essa alternativa possibilite de maiores ganhos para a empresa, ela representa também um risco maior para o negócio. Caso a empresa não consiga manter a lucratividade ou o volume de vendas esperado, os lucros podem não superar os juros dos empréstimos, o que gera um prejuízo para a empresa. Fora isso, uma empresa com um alto nível de endividamento geral pode ter dificuldade em levantar novos financiamentos junto a instituições financeiras.

 

Composição do endividamento (CE)

 

Outro índice bastante utilizado é a composição do endividamento (CE) que mostra como está a política de captação de recursos de terceiros de uma empresa em um determinado momento.

 

O CE analisa se o endividamento da empresa ocorre mais no de curto ou longo prazo e, a partir da análise desse índice, os gestores conseguem criar estratégias a fim de evitar que a empresa passe por problemas de liquidez pela falta de dinheiro no curto prazo.

 

Matematicamente, a CE é a divisão dos passivos de curto prazo pelo total de capital de terceiros, tanto de curto quanto de longo prazo, também multiplicados por 100 para que se encontre o valor percentual. Considerando o exemplo anterior:

 

A empresa tinha passivos de curto prazo no valor de R$200.000 e de longo prazo no valor de R$500.000, somando um total de passivos de R$700.000.  Nesse caso, o cálculo da CE será:

 

CE:   R$200.000  =      28,57%

R$700.000

 

O que isso significa? A análise deste índice permite concluir que, do total de dívidas que essa empresa possui, menos de 30% devem ser pagos no curto prazo e mais de 70% devem ser pagos no longo prazo.

 

De um modo geral, quanto menor for o valor percentual do CE, melhor para a empresa, pois isso significa que ela terá mais tempo para honrar as suas dívidas e poderá enfrentar eventuais quedas de demanda ou da lucratividade com mais tranquilidade.

 

Índice de cobertura de juros

 

O índice de cobertura de juros mede a capacidade da empresa de efetuar o pagamento dos juros contratuais da sua dívida, sem comprometer a sua geração de caixa. Algumas empresas possuem um nível de endividamento alto, mas dispõem de uma boa capacidade de cobertura de juros. Nesses casos, o endividamento pode significar apenas uma estratégia para obter formas mais acessíveis de financiamento e não representa, necessariamente um problema para a empresa.

 

Índice de cobertura de juros = ____Lucro operacional*___

                                                            Despesa anual em juros

 

* Lucros antes do pagamento dos juros e do IR.

 

Como avaliar os índices de endividamento?

 

Mais do que avaliar o valor dos índices provenientes dos cálculos acima mencionados, é importante levar outros aspectos em consideração para ter uma visão mais ampla sobre o endividamento das empresas. Confira a seguir alguns deles.

 

→ Analise os dados históricos

 

Para avaliar se os índices de endividamento de uma empresa estão em níveis aceitáveis, não basta apenas analisar apenas os dados do presente, é necessário acompanhar a evolução histórica dos valores através do uso de bases mensais, trimestrais e anuais. Quanto maior o tempo de análise, mais apurada será a percepção do gestor e mais assertivas serão as estratégias que ele terá condições de montar para contornar eventuais problemas.

 

→ Avalie os dados setoriais

 

É importante colocar o endividamento de uma empresa sobre a perspectiva do setor em que ela está inserida. Um índice de endividamento geral de 30% é algo bom ou ruim? A resposta pode variar de acordo com o mercado em que a empresa está inserida. Se os principais concorrentes possuírem índices em torno de 10% ou 15%, definitivamente 30% é um valor elevado. Por outro lado, se eles possuírem valores maiores que 50%, 30% poderá ser considerado um nível de endividamento razoável e assim por diante.

 

Os níveis de endividamento dos concorrentes podem não estar facilmente acessíveis, pois tratam-se de informações estratégicas e sigilosas das empresas, mas há formas de descobrir os índices de endividamento médios de um setor a partir de informações de sindicatos, conselhos ou associações que representem um tipo de atividade.

 

→ Avalie o destino do recursos sendo captados

 

As empresas podem buscar capital junto a terceiros pelos mais diversos motivos, e é importante ter isso em mente quando se avalia qualquer índice de endividamento.

 

Quando as empresas recorrem a capitais de terceiros para investir na sua atividade produtiva (adquirindo novas máquinas, ampliando sua estrutura física, aquisições de novas empresas, etc.) o endividamento pode ser considerado sadio, pois as aplicações produtivas irão gerar, futuramente, recursos para saldar os compromissos financeiros assumidos.

 

Já as empresas que captam recursos para saldar outras dívidas que estão vencendo, são sérias candidatas a insolvência.

 

→ Analise o índice de endividamento em conjunto com outras variáveis

 

Embora o índice de endividamento seja uma ferramenta muito importante para que um gestor possa analisar a saúde financeira de uma empresa, ela não é a única variável que deve ser considerada nesta avaliação. Um índice de endividamento insatisfatório não significa que a empresa não dispõe de saúde financeira, assim como um bom índice de endividamento isoladamente não representa uma razão para comemorar.

 

É importante que o gestor seja guarnecido com o máximo de informações possíveis para que ele possa criar estratégias de gestão financeira assertivas e garantir um crescimento sólido e sustentável da sua empresa no longo prazo.  Um bom software de gestão financeira, neste sentido, pode ajudar a organizar e processar as informações geradas no dia a dia da empresa e auxiliar a tomada de decisão e a criação de estratégias assertivas para o seu negócio!

 

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