Índices de endividamento – O que são? Para que servem? Como calcular?

Para que as empresas possam expandir suas operações e atender a uma demanda maior, elas precisam invariavelmente realizar investimentos. Esses investimentos podem ser destinados à aquisição de novas tecnologias, ampliação do espaço físico, contratação de mais profissionais, obtenção de máquinas mais produtivas, etc.

É praticamente impossível que uma empresa consiga crescer e conquistar market share (participação de mercado) sem criar as condições que suportem esse crescimento. 

Por exemplo, se uma confecção tem a capacidade hoje de produzir 10 mil camisetas, para que ela possa chegar a produzir 100 mil camisetas é fundamental que ela expanda a sua capacidade produtiva. Neste sentido precisará adquirir novas máquinas, contratar novos funcionários, investir em sistemas de gerenciamento para tornar seus processos administrativos mais eficientes, etc.

O fato é que na maioria das vezes as empresas não possuem disponível o capital necessário para expandir as suas operações. É comum, portanto, que elas realizem empréstimos junto a terceiros para incrementar o seu capital de giro.

A partir da aquisição desses recursos adicionais, se torna possível realizar os investimentos que farão a empresa crescer. Por outro lado, a empresa passa lidar com uma nova variável: o endividamento.

O que são índices de endividamento?

Índices de Endividamento são medidas de avaliação da capacidade financeira da empresa em honrar os seus compromissos financeiros.

Podem ser avaliados em quatro cenários distintos:

  • Participação do capital de terceiros;
  • Composição do endividamento;
  • Imobilização do patrimônio líquido;
  • Imobilização do ativo permanente;

 

Cada Índice de Endividamento individualmente analisa uma referência específica do cenário da dívida, e como tal, devem ser analisados. A visão em conjunto de todos mostra a análise geral do negócio e isso tende a mostrar um número técnico muito importante para a gestão financeira da empresa. 

A seguir explicaremos questões fundamentais e essenciais para o perfeito entendimento e compreensão dos índices de endividamento, para que você, empresário e profissional da área financeira possa efetivamente usá-los de forma concreta na gestão do seu negócio. 

 

Índices de endividamento O que avalia O que indica Leitura econômica no balanço Interpretação
Participação do capital de terceiros Avalia a relação da posição do Capital Próprio em função ao Capital de Terceiros Indica a dependência da empresa em relação aos Recursos de Terceiros no negócio Indica quanto a empresa tomou de Capital de Terceiros para cada R$100,00 de Capital Quanto MENOR melhor
Composição de Endividamento Avalia a composição do endividamento da empresa, mostrando as obrigações no curto prazo, face ao endividamento total Indica se a empresa está conseguindo financiar seu endividamento no longo prazo para não perder eficiência operacional no curto prazo Indica qual percentual das obrigações no curto prazo em relação as obrigações totais Quanto MENOR melhor
Imobilização do Patrimônio Líquido Avalia o investimento no Ativo Permanente. Observa a sobra para financiar o Ativo Circulante, quanto menor for essa sobra, maior será a dependência de Capital de Terceiros Indica se a empresa dispõe de Patrimônio Líquido suficiente para cobrir o Ativo Permanente e se há sobra financeira para financiar o Ativo Circulante Indica quanto a empresa aplicou no Ativo Permanente para cada R$100,00 do Patrimônio Líquido Quanto MENOR melhor
Imobilização do Ativo Permanente Avalia a relação dos elementos do Ativo Permanente com o financiamento do imobilizado através de recursos próprios. Indica se as aplicações ficas (Ativo Permanente) com os recursos não correntes (PL e ELP) não possui índice superior a 100% Indica que percentual de recursos não correntes a empresa aplicou no Ativo Permanente Quanto MENOR melhor

Para que servem os índices de endividamento?

Os índices de endividamento servem para auxiliar o empresário e/ou o gestor financeiro da empresa a avaliar os números relacionados a endividamento e, desta forma, minimizar o risco de erros na tomada de decisão. 

Na gestão financeira é fundamental realizar algumas avaliações técnicas dos números do negócio, a análise do endividamento é uma dessas, considerada fundamental para obter a saúde financeira da empresa.

São inúmeras as razões que levam uma empresa a alavancar dívidas com a realização de empréstimos, dentre as principais podemos citar:

  • Composição de capital de giro;
  • Investimentos em máquinas e equipamentos;
  • Troca de dívidas de juros maiores para juros menores;
  • Aquisição de ativo imobilizado;
  • Aquisição/aumento de frota (veículos);

 

Em geral, o endividamento é comum dentro das organizações e não deve ser encarado ou considerado um problema, pois não é. O que deve ocorrer é uma responsabilidade e um planejamento muito eficiente para mostrar o momento certo de buscar empréstimos. O bom empréstimo é aquele que é utilizado para fomentar o negócio, pois a partir deste fomento é que a empresa potencializa seus resultados inclusive para pagar o próprio empréstimo.

O problema é que culturalmente as empresas não agem dessa forma e tratam a questão do endividamento sem a devida atenção que o assunto merece, isso gera uma situação de desequilíbrio financeiro, desconforto e aumento exponencial de dívida.

Como calcular o índice de endividamento da sua empresa?

Cada um dos índices de endividamento possui uma fórmula matemática para chegar em seu resultado. Abaixo seguem as fórmulas para os cálculos:

  • PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL DE TERCEIROS – PCT

(Quanto MENOR, melhor)

Indica quanto a empresa tomou de capital de terceiros para cada R$ 100,00 de capital próprio.

FÓRMULA:

Onde:

PC = Passivo Circulante

RLP = Realizável a Longo Prazo

PL = Patrimônio Líquido

 

  • COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO – CE

(Quanto MENOR, melhor)

Indica qual o percentual das obrigações no curto prazo em relação as obrigações totais.

Onde:

PC = Passivo Circulante

ELP = Exigível a Longo Prazo

 

  • IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO – IPL

(Quanto MENOR, melhor)

Indica quanto a empresa aplicou no ativo permanente para cada R$ 100,00 de patrimônio líquido.

Onde:

AP = Ativo Permanente

PL = Patrimônio Líquido

 

  • IMOBILIZAÇÃO DO ATIVO PERMANENTE – IAP

(Quanto MENOR, melhor)

Indica que percentual de recursos não correntes a empresa aplicou no ativo permanente.

Onde:

AP = Ativo Permanente

PL = Patrimônio Líquido

ELP = Exigível a Longo Prazo

 

Percebam que em todos os índices, quanto menor for o seu valor, melhor será a situação da empresa, pois apresenta um menor risco de inadimplência. 

Nesta situação do ponto de vista financeiro, a empresa visivelmente possuirá menor dependência de capital de terceiros, e esse fato normalmente tende a ser positivo para um cenário de composição de lucros. No entanto, um cenário inverso onde os índices apresentam altos valores percentuais, a mesma apresentará maiores riscos para o negócio, por uma situação de maior endividamento.

Pensando no ponto de vista financeiro, é interessante para os gestores terem um valor pequeno para dar fôlego financeiro no curto prazo, principalmente em tempos de diminuição de demanda por causa de uma crise financeira, por exemplo. 

Gerencialmente falando, tanto os passivos de curto prazo quanto os de longo, geram juros de endividamento, mas normalmente os recursos de curto prazo geram mais. Nesse sentido, é mais saudável sempre ter a maioria das dívidas no longo prazo, uma vez que elas são praticamente inevitáveis.

“É mais saudável sempre ter a maioria das dívidas no longo prazo, uma vez que elas são praticamente inevitáveis.”

Como avaliar o endividamento da sua empresa?

Para avaliar se os índices de endividamento de uma empresa estão em níveis aceitáveis, não basta apenas possuir o valor atual. É necessário acompanhar a evolução histórica dos valores e fazer esse acompanhamento em bases mensais, trimestrais e anuais. Quanto maior o tempo, maior será a percepção do gestor.

Também é importante que se faça algumas comparações. Um valor de 30% é algo bom ou ruim? Isso vai depender do mercado em que uma determinada empresa está inserida. Se todos os concorrentes possuírem índices em torno de 10% ou 15%, definitivamente 30% é um valor elevado. Por outro lado, se eles possuírem valores maiores que 50%, aí 30% será um bom valor.

Esses valores de concorrentes dificilmente estarão disponíveis diretamente para a sua empresa, pois trata-se de informações estratégicas e sigilosas das empresas, mas há formas de descobrir os índices de endividamento médios de um setor a partir de informações de sindicatos, conselhos ou associações que representem um tipo de atividade.

Conclusão:

O índice de endividamento é uma das ferramentas que um gestor pode utilizar para melhorar a saúde financeira da sua empresa, mas não é a unica.

Um mal índice não significa necessariamente um problema, pois deve ser analisado com um conjunto de outras variáveis, da mesma forma que um bom índice de endividamento, isoladamente, não representa razão para comemorar.

Busque o máximo de informações para auxiliar no processo de gestão e deixe um comentário para nós sobre o que você achou do post.

 

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