O que é capital de giro e por que ele é tão imprescindível?

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O conceito de capital de giro é sugestivo propositalmente. Passa a ideia de ciclo, ou seja, é o capital necessário para que as atividades da empresa possam fluir durante um determinado período. Os giros de capital são calculados a partir de uma soma de todos os ativos correntes de uma empresa, como os estoques, o caixa e o capital a receber de clientes, subtraindo-se os passivos, como as obrigações com bancos e fornecedores, impostos e demais despesas. O recomendado é que, se o saldo dessa equação for positivo, uma parte dele seja destinada à formação de um capital de giro.

 

Vale lembrar que o capital de giro precisa ser construído logo no início das atividades empresariais. Primeiramente, somam-se os gastos básicos para começar a produção, seja esta de um produto ou de um serviço, e planeja-se como serão feitas as aquisições ou financiamentos. Logo, quando for possível, é preciso começar a formar o capital de giro através de dinheiro investido, fundo de reserva pessoal ou até mesmo empréstimo bancário. Afinal, o lucro das empresas no primeiro semestre após a abertura é bastante baixo para cobrir custos e imprevistos.

 

Por que é tão importante gerenciá-lo corretamente?

A manutenção desse montante financeiro é um fator que pode ser crucial para a sobrevivência de qualquer empreendimento, principalmente nas fases iniciais, momento em que a lucratividade costuma não ser alta o suficiente para compensar, sozinha, todas as despesas fixas (como salários e aluguel) e encargos do negócio (impostos, contribuições sociais e outros). Além de garantir a liquidez e agilidade do empreendimento, o capital de giro pode servir para cobrir despesas não previstas, ou até para a expansão das atividades.

 

O que ocorre, porém, é que muitos empresários têm dificuldade em calcular esse valor, já que, dependendo da natureza do negócio, as necessidades podem variar constantemente. No caso de novos empreendimentos, esse problema se torna ainda maior. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 48,2% das empresas fecham as portas após 3 anos de atividade. Administrar bem um capital de giro é a forma para ficar fora dessas estatísticas.

 

Como calcular o capital de giro ideal para sua empresa?

Não existe uma fórmula simples e generalizada para calcular esse valor. Alguns especialistas falam em reservar um montante mensalmente, distribuindo a carga para que não haja desequilíbrio nas contas. No entanto, muitos empreendimentos costumam operar com baixa lucratividade e até prejuízos durante certos períodos, e alta lucratividade em outros.

 

O ideal, portanto, é que seja feita uma análise sobre o passado e o futuro da empresa e da concorrência. Esse tipo de investigação é fundamental para saber como o mercado costuma se comportar, facilitando muito o planejamento. Se o primeiro semestre é um período muito lucrativo, é justamente dali que será extraído o capital de giro para compensar o semestre seguinte.

 

Para novos micro e pequenos empreendimentos, uma mentalidade conservadora deve prevalecer, pois são esses os empreendimentos com mais dificuldade para se firmar no mercado. Por isso, recomenda-se que se separe um capital de giro capaz de cobrir cerca de 70% das despesas dos 6 primeiros meses da empresa, além de contar com 50% de cobertura para os outros 6 meses.

 

Como se atentar à manutenção da liquidez?

Um cenário ruim para a empresa é quando a soma dos estoques e dos direitos (capitais a receber) está em números muito maior do que o do caixa e dos bancos, mesmo quando os ativos superam bem os passivos. Nessa situação, o empreendedor enfrentará grandes dificuldades para formar ou até manter o seu capital de giro, principalmente se tiver muitas obrigações a curto prazo com fornecedores e bancos.

 

Mesmo que tenha, por exemplo, R$ 16.000,00 em estoques e apenas R$ 4.000,00 em dívidas, o gestor pode enfrentar dificuldades para cumprir suas obrigações se o valor do caixa for R$ 1.500,00 e não houver uma previsão de vendas naquele mês para complementar o restante. Por isso, é essencial evitar excessos na hora de formar os estoques, garantindo assim a liquidez do negócio. Em certas ocasiões, esse descontrole pode até mesmo levar a empresa a usar seu capital de giro sem necessidade.

 

Ampliar o capital de giro ou investir?

Por outro lado, se a empresa possui regularidade, está em dia com suas despesas e obrigações e, ao olhar para frente, as projeções para os próximos meses forem extremamente positivas e já houver um capital de giro formado, não faz muito sentido formar mais reserva. É chegada a hora de investir na expansão ou, se preferir, aumentar a distribuição de lucros entre os sócios.

 

Dificilmente uma empresa nova conseguirá realizar esse tipo de manobra para investimentos. Por isso, a estratégia de se manter um capital de giro continua recomendada. Esse é um passo a ser dado para empresas que já atingiram sua maturidade e já superaram, pelo menos, 3 anos de funcionamento.

 

Gostou das dicas sobre capital de giro? Confira as outras publicações do nosso blog e fique atento às dicas para melhorar a gestão do seu empreendimento.

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