Planejamento financeiro para 2022: Como fazer na sua empresa

Se você tem dificuldade para fazer o planejamento financeiro do seu negócio, saiba que não está sozinho. 

Mais do que números e dinheiro, ter um bom planejamento garante uma boa gestão financeira e possibilita lidar melhor com os recursos e competências na empresa. 

Frequentemente empresas ficam perdidas na hora de fazer o planejamento financeiro, pois não sabem por onde começar. Pensando nisso, selecionamos aqui as principais informações que você precisa para fazer o planejamento financeiro de 2022 e ver seu negócio prosperar.

A importância do planejamento financeiro na gestão empresarial

Acreditar que apenas com os dados de entradas e saídas de recursos já possui informações suficientes para controlar e tomar decisões, está entre os maiores erros na gestão financeira e pode, inclusive, levar à falência da empresa.

Quem pensa assim, acaba vendo a gestão financeira como perda de tempo ou apenas burocracia. De certa forma, isso acontece pelo excesso de complicações na contabilidade e no sistema tributário brasileiro.

Entretanto, para ver o crescimento saudável do negócio, é preciso dedicar atenção ao planejamento e à gestão financeira. Isto é, para sua empresa se desenvolver, é fundamental ter metas financeiras bem definidas, de curto, médio e longo prazo, direcionar os esforços no rumo certo, com decisões conscientes.

Confira algumas vantagens do planejamento financeiro:

  • Permite analisar constantemente a situação financeira da empresa;
  • Facilita a identificação de problemas e oportunidades de lucrar mais;
  • Oferece uma visão de onde quer chegar e o que precisa ser feito;
  • Ajuda a reconhecer o cenário atual do empreendimento.

Mas quais são os fundamentos que um planejamento financeiro para a sua empresa deve incluir?

Como fazer o Planejamento financeiro para 2022?

Antes de mais nada, para planejar o novo ano da empresa, é importante analisar os relatórios financeiros para entender como foi o ano de 2021 para a empresa. 

Com o controle financeiro em dia é possível avaliar os custos, a receita, os gastos que podem ser cortados no novo ano, o retorno sobre os investimentos, e muito mais. 

Assim, para fazer o planejamento financeiro de 2022 e traçar suas metas, é preciso levar em consideração os recursos disponíveis, para realizar previsões futuras de custos e receitas. Dessa forma, poderá definir o momento certo para investimentos e reconhecer as melhores oportunidades para direcionar o crescimento saudável do seu negócio.

Ainda nesse sentido, o planejamento financeiro é o termômetro que mede se a sua meta é alcançável e prepara a empresa para lidar com possíveis riscos. Afinal, ao minimizar a improvisação, você terá um mapa a seguir e adquire maior consciência para resistir às armadilhas do mercado.

Mesmo no caso de empreendimentos iniciantes, também é possível e necessário reunir informações do mercado em que pretende atuar. Isto porque, essa pesquisa de mercado é fundamental para definir premissas e ir ajustando seu planejamento financeiro ao longo do tempo, conforme as informações reais vão surgindo.

Por exemplo, os custos trabalhistas. Dependendo da atividade, do porte da empresa e regime tributário pode haver variações. Mas é possível estimar inicialmente algo em torno de 90% do valor do salário e ajustar num momento futuro.

Pontos importantes para o planejamento financeiro em 2022

Um planejamento financeiro deve ser de simples entendimento para qualquer pessoa. Seu papel é estimar entradas e saídas, traçando cenários possíveis e planos de ação bem definidos.

Veja alguns pontos importantes para o seu planejamento financeiro de 2022:

  • Entenda o que é rentabilidade e lucratividade;
  • Faça uma projeção de receita e de gastos;
  • Defina seu ponto de equilíbrio;
  • Leve a sazonalidade em consideração;
  • Pense em mais de um cenário;
  • Estime metas de vendas necessárias;
  • Acompanhe as ações e refaça o planejamento de todo quadrimestre;

Rentabilidade e Lucratividade 

Um erro muito comum é confundir a rentabilidade do negócio com a sua lucratividade.

Imagine um anúncio de franquia que promete incríveis 30% de rentabilidade. Mas lá nas letras pequenas, afirma que o tempo médio para retorno do investimento realizado é entre 18 a 24 meses.

Para tornar mais claro: Um investimento de R$ 900 mil com tempo de retorno em 9 meses tem sua rentabilidade de 10%, ou seja, o tempo para o negócio entregar o capital aplicado. Já a lucratividade está relacionada diretamente ao produto ou serviço oferecido e seus custos diretos.

Perceber tal diferença é crucial no seu planejamento financeiro para que não comprometa o crescimento sustentável do negócio.

Projeção de receitas

Como foi dito aqui, sua estratégia precisa ser realista. Se a meta é dobrar as vendas de um produto ou faturamento com serviços ao longo do ano, entenda antes qual o investimento será necessário e as fontes de recursos disponíveis.

Resumidamente, você não deve planejar a partir de vendas, definindo percentual de crescer 20%, 30% ou 40% sem ter bases para isso.

Por exemplo, para fazer 100 vendas esse mês, com quantas pessoas você tem que falar? Quantas reuniões você tem que marcar? Quantas propostas você tem que enviar?

Essas perguntas darão a dimensão do número de pessoas que terá que contratar para sua área comercial, o seu tempo gasto com reuniões, se vai ter que contratar mais gente pra te ajudar a fazer a gestão interna da empresa

Projetando esses indicadores, terá uma visão do seu crescimento de vendas. Esse é um dos maiores exercícios do planejamento financeiro, entender como funciona um modelo de receitas do seu negócio.

Projeção de gastos

Aqui vamos tratar de custos e investimentos. A primeira coisa que você precisa entender são os tipos de gastos, quais são os custos fixos e variáveis. Para simplificar a análise, vamos definir nesse momento:

Custo Variável – A saída de recursos que estiver vinculada à produção ou prestação de serviços, tais como matérias primas, mão de obra operacional, etc.

Se você quer produzir mais mesas, vai precisar de mais madeira. Ou, no caso de uma agência de publicidade, a compra de mídia ou tráfego também pode ser considerada um custo variável.

Você também deve analisar como acontece essa variação:

Conforme a receita: equipe de produção, time comercial, investimento em marketing;

Conforme o aumento da equipe: telefone, viagens, tecnologia, etc.

Os gastos vinculados à receita são mais fáceis de serem calculados, por exemplo, os impostos que têm alíquota fixa. A matéria prima também é sempre vinculada à receita.

Geralmente, o investimento em marketing também será, mas deve flutuar mais do que os outros gastos porque é afetado por outros fatores.

Custo Fixo – Aquilo que não estiver diretamente vinculado à produção, por isso costuma ser estável por um período maior. Exemplos: aluguel, mão de obra administrativa, eletricidade do escritório, etc. Você não precisa contratar mais funcionários no RH para vender mais.

Já os não vinculados diretamente à receita, requerem uma análise de contratos e previsão. Além de planejar contratações e aumento na capacidade instalada ou rescisão no contrato de aluguel.

E por último, provisionar gastos que não tem periodicidade fixa. Então será necessário arbitrar um orçamento pra isso, portanto avalie o ano anterior, condições do mercado, etc.

Investimento – O que for ligado ao aumento da capacidade instalada, como reformas, computadores, móveis, máquinas, etc.

Defina o ponto de equilíbrio

O Ponto de Equilíbrio é o ponto onde as receitas totais e os gastos fixos e variáveis de uma empresa em determinado período se igualam. Sendo assim, caso haja faturamento menor que o previsto, o resultado será um prejuízo financeiro, enquanto um maior faturamento resultará em lucro para a empresa.

A fórmula utilizada para encontrar o Ponto de Equilíbrio Financeiro é muito simples: basta somar as despesas fixas e dividir o resultado pela margem de contribuição do seu negócio.  A conta fica desta forma:

Ponto de Equilíbrio Financeiro = Despesas Fixas/ Margem de contribuição

Para tornar a compreensão mais fácil, imagine que sua empresa gaste cerca de R$ 120 mil anuais para se manter em operação e que a margem de contribuição do seu negócio seja de 25%.

O Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF), neste caso, seria calculado da seguinte maneira:

PEF = R$ 120.000 (despesas fixas)/0,25 (margem de contribuição transformada em número decimal).

Nesta operação, teríamos o seguinte resultado: Ponto de Equilíbrio Financeiro = R$ 480.000 (R$ 480 mil).

Nesta situação hipotética, portanto, sua empresa precisaria ter uma receita bruta anual de, no mínimo, R$ 480 mil para não ter prejuízo financeiro. Acima deste valor, a companhia teria lucro e, abaixo deste montante do Ponto de Equilíbrio Financeiro, haveria prejuízo.

Um cálculo bastante simples de ser feito, não é mesmo?

Sazonalidade

Alguns tipos de negócio possuem características próprias que interferem no seu desempenho financeiro, relacionadas a fatores externos. Para que você consiga visualizar de forma clara o que estamos analisando, vamos a um exemplo prático.

Suponha uma empresa que atue num mercado sazonal, como uma papelaria. Durante o ano, haverá período de demanda aquecida, na volta às aulas, e também período de menor movimento. Então, um empresário cauteloso sabe que vai passar por alguns problemas e que lidar com eles será mais fácil se já tiver planejado antecipadamente o que fazer nessas situações ou em situações parecidas.

 Este exemplo é importante para perceber que, em casos como este, os resultados financeiros operacionais devem ser comparados em relação a períodos equivalentes. Não, como nos demais, avaliar o crescimento com base no período anterior.

Assim, o planejamento financeiro não trata apenas de equilibrar receitas e despesas, mas norteia as prioridades, seja no ajuste de contas ou na definição de investimentos.

Pense em mais de um cenário

Ao definir seu planejamento financeiro, pelo menos três cenários devem ser considerados: o “pessimista”, o “realista” e o “otimista”.

O que varia entre eles? Fatores internos e externos, por isso uma boa metodologia a aplicar nesse momento é a análise SWOT.  Essa técnica de planejamento é baseada em forças (Strenghts ) fraquezas (Weaknesses ), oportunidades (Oportunidades ) e ameaças (Ameaças).

Vamos partir do exemplo de uma empresa de consultoria para que o conceito fique mais claro.

Forças: podem ser listadas a capacidade da equipe, a reputação da empresa, sua estrutura, etc.

Fraquezas: talvez haja problemas internos que afetem o andamento dos projetos, como brigas entre os sócios, uma pressão de custos, já que o dono da sala quer aumentar o aluguel e os funcionários querem aumento de salário.

Oportunidades: talvez um dos sócios vai palestrar em um grande evento ao vivo e com isso terá uma visibilidade capaz de atrair novos clientes. Ou quem sabe se aproximou de um parceiro estratégico com interesses complementares disposto a repassar vários serviços?

Ameaças: O surgimento de um novo concorrente no mesmo nicho de atuação pode desestabilizar o mercado; a economia do país está piorando.

Às vezes, um planejamento financeiro considera cenários que acabam não acontecendo, ou então não considera algo que acaba acontecendo. Por exemplo, se a empresa acredita em uma oportunidade e ela não acontece. Como a gestão vai lidar com isso? 

Por isso, é importante ter sempre a estratégia para o cenário pessimista, o cenário realista e o cenário otimista. E, entender que o planejamento financeiro não é algo totalmente fixo, deve ser monitorado e ajustado periodicamente. 

Ferramentas para ter o controle financeiro

As duas principais formas de acompanhamento financeiro de uma empresa são o Fluxo de Caixa e o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE).

O papel do fluxo de caixa é acompanhar diariamente as entradas e saídas de recursos financeiros de um determinado empreendimento, de modo que, ao confrontar essas duas variáveis, teremos o nosso saldo para determinado período. Dessa forma, sabendo melhor sobre o dinheiro que vai entrar ou sair, é possível formar reservas financeiras e até buscar outras fontes de recurso para quitar as contas.

Agora, o papel do DRE está mais ligado aos resultados operacionais, para identificar se há lucro ou prejuízo. Simplificando a diferença: a empresa pode estar com o caixa negativo em um determinado momento e ainda assim ter lucro operacional. Assim, o que se observa nessa situação, provavelmente, é um descompasso entre saídas e recebimentos.

Conclusão

Um planejamento financeiro auxilia na gestão financeira eficiente do negócio e oferece uma visão clara dos objetivos estratégicos. Mesmo que não haja um histórico de operação do negócio, através de pesquisas de mercado é possível ter premissas e ir ajustando no decorrer das atividades.

Com base no planejamento financeiro, é possível desenhar o crescimento do negócio, os investimentos necessários e também antever as ameaças que podem comprometer esses objetivos. 

Por fim, a gestão financeira deve caminhar lado a lado com o planejamento e fornecer informações confiáveis com agilidade. O Controlle é um sistema de gestão financeira que auxilia a empresa a visualizar os seus números e seguir o planejamento financeiro de forma eficiente.

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